Comprei esta tela branca ao preço do silêncio...
Quero pintá-la. De transparente, talvez.
Choveram vitrais perfumados
E ideias coloridas.
Mas sujaram-me a tela de um Humano horrendo !
Abandonei-me, então, de sonhos,
Por serem tão Humanos. Queimei-me em velas
Até me perder numa bruma.
Mas... shh ! ainda oiço !
As auréolas dos anjos a cintilar !
Ainda escuto ! as canções tristes que me alegravam.
Os girassóis, o sol, o céu, as estrelas, a lua.
Ainda me vejo. Em douradas pradarias.
Ah ! e as casas de madeira...
(ainda sinto a brisa, e por saber senti-la sinto ainda que nunca
Haveria de o ter feito).
Hoje, escondi-me. Abandonada e absorta
De toda a luz com que fui abençoada, outrora.
Sou como uma flor que murcha sem sol,
Por não haver vida.
Quis tão pouco. E era tanto para este Mundo:
Tão pequeno !
Despi-me e, nua, pintei-me de Humana nesta tela.
Alheei-me. Pintei o alheamento
No silêncio. Nas palavras não ditas
Desenhei jardins, e flores, e sorrisos,
Com lágrimas escondidas.
Ao fundo, uma catedral. Olha os vitrais ! antes perfumados, agora
Obscuros. Secretos.
Pintei a tela de Humano.
Ela canta, hoje, o silêncio.
Esconde um pranto cego.
O som dos sinos sai calado.
E eu, Deliro !
CS
11/07/2009
' Uma Janela Aberta - Tela.
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Sábado, Julho 11, 2009
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08/07/2009
' Uma Janela Aberta - Sou Aquela.
Sou aquela cujo espelho
É fielmente fiel.
Aquela que pinta
Com um doce pincel
Este tão frenético processo
De multiplicação.
Sou aquela cuja alma
Se espraia no mar.
Aquela cuja alma
Implora por brilhar,
Mas sem fulgor nem paixão.
Ah, sou aquela e aquela e
Aquela ali,
Aquele abrir de rosa à espera
De um contemplar
E mais
Aquela, aquela,
Aquele anseio de alma
Cheio de mudos ais...
Esta. Cuja imagem se esqueceu
De retratar.
CS
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Quarta-feira, Julho 08, 2009
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04/07/2009
' Uma Janela Aberta - Qualquer.
Sou uma qualquer,
Não diferente de todas as outras
Quaisquer,
Nem diferente de qualquer
Nenhuma.
Sou uma qualquer,
Tão igual por ser diferente
Mas não diferente por ser igual
A qualquer igual ser,
Enfim,
Qualquer alguma.
Sou uma qualquer,
Espero por qualquer sorriso,
Qualquer beijo e qualquer sonho
Em que sonhe que não sou, afinal,
Qualquer uma.
CS
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Sábado, Julho 04, 2009
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02/07/2009
' Uma Janela Aberta - Poema VI.
Nos recônditos da minha sensata lucidez
Encontro picos excêntricos, excentricamente
Loucos.
Nesta realidade que me prende, que me puxa,
Que me veste, que me insiste,
Revisto-me de liberdade, de abundancia
De luz.
Na amplitude da consciencia,
Na totalidade do ser que compreende,
Dobro esquinas de brilho,
Percorro estradas de extravagância,
Mergulho em mares de vento solto
Até doer.
Nesta alma matematicamente morta,
Estupidamente viva,
Até doer choro, até doer encontro o choro
Que me faz, apenas, ser.
CS
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Quinta-feira, Julho 02, 2009
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30/06/2009
' Uma Janela Aberta - Poema V.
O eco do fundo dos teus olhos
Refunde-me para as sombras do jardim
Que é o teu corpo.
E absorta fujo, escondo-me,
Porque te tenho, porque me tens,
Porque sou eternamente tua.
Mas algures no meio do fulgor
Do teu abraço
Surge um navio prestes a naufragar.
No jardim do teu corpo,
Navega em mar verde,
O navio prestes a naufragar.
Algures no meio de todo este fogo
Que arde num delírio delirante
Surge a minha âncora,
De ferro forte, feio, esquecido
De onde encontra meu porto seguro.
Oh, se o abandono soubesse
Onde encontrar essa estrada
Que me leva...
Se essa voz soubesse
Onde cantar minha tristeza...
Então saberia onde se encontra o princípio do fim
Encontra-se em ti e em mim,
E no barco que te naufraga,
Nas sombras que nos refundem,
No vento frio que se faz sentir
Nesse teu jardim, ao fim da tarde,
Na poeira de um entardecer já antigo...
Sim, o eco do fundo dos teus olhos
Refunde-me para as sombras do jardim
Que é o teu corpo.
E, sós, amamo-nos, como se jamais
Amanhã houvesse.
CS
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Terça-feira, Junho 30, 2009
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28/06/2009
' Uma Janela Aberta - Poema de Amor.
Dormir junto do teu peito
Com o bater do teu coração
É dormir no paraíso.
Duvidas?
Então chega-te aqui.
Mais perto. Assim, pronto.
Deixa-me sussurar-te ao ouvido
Tudo o que realmente sinto
Deixa-me dizer-te que esse tudo
Passa por me sentir a unica pessoa no mundo
Que tem a sorte de te amar.
Que és o único que me consegue despir
De preconceitos, tabus, medos,
Preocupações
E que por momentos eu me sinto verdadeiramente
Verdadeira e única
Inigualável, e importante.
E orgulhosa por poder dizer que
Ninguém pode dizer que
Alguém sente o mesmo.
Por instantes nada mais importa,
E a minha vida apenas serve para pertencer-te.
Por momentos somos um só, e somos mais que o Mundo inteiro.
Por momentos, nós – e com tanta beleza, essa imaculada beleza que as coisas têm apenas por existirem.
Mas a minha divagação perdeu-se algures entre
Sussurar-te ao ouvido que ficaria assim para sempre
E as palavras deixarem-se guiar pelo prazer desse assim.
Então só me resta acabar ao dizer,
Que estas palavras?
Não são nada, absoluta e certamente nada,
Quando a imensidão do teu olhar me envolve.
CS
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Domingo, Junho 28, 2009
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24/06/2009
' Uma Janela Aberta - Poema I.
Escrevo aquilo em que acredito,
aquilo que desejo, aquilo sem sentido -
parto sem dor,
o teu simples beijo,
a utopia do perfeito,
do amor,
do homem que fez sem ter feito.
e não passo de uma alma com saudade,
uma alma ansiosa por sanidade, mas chamo
áquilo que acontece
quando o tempo se encontra no tempo,
quando o espaço se perde no espaço
de verdadeira liberdade que amo.
e apenas restam vestígios da impureza,
apenas vestígios de Saudade
de quando eras tu apenas mar, mar, apenas mar,
apenas uma onda que me rebatava o ser,
apenas uma onda que me vestia e me envolvia,
que tinha nascido para me amar.
ah! esta percepção imediata que nasci pra te pertencer...
CS
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Quarta-feira, Junho 24, 2009
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22/06/2009
' Uma Janela Aberta - Não tive tempo.
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo!
Para deixar de ter pressa que passasse o tempo;
Para deixar que viesse o tempo de ter tempo,
De esperar e desesperar para ter tempo,
Para viver o momento
Para chorar por dentro,
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo...
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo!
De reparar que as palavras vieram e foram
Que morreram e renasceram;
Para deixar que fossem apenas gotas de água por cima de mar,
Ar e vento
E pétalas por cima de rosas,
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo...
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo
Para pensar bem e saber que tive todo o tempo
Do mundo.
Que deixei cair uma lágrima cá fora quando milhares já tinham caído
Lá dentro.
Que tive medo de ser feliz, e fugi, e fugi, e corri até não poder mais.
Que fugi até sentir dor, até sentir paz. Até sentir que o merecia.
Que fugi do tempo que tinha para ter tempo.
E não tive tempo sequer de ser livre na minha entrega.
Mas hoje tenho tempo. Tenho tempo,
De sobra até.
Tenho tempo para te esperar. Tempo para te abraçar,
Para me despir, para te sentir, para inexistir
Existindo.
Hoje tenho tempo e hoje sou amor. Hoje sou liberdade,
Sou toda a cor que destoa do azul do mar,
Tudo o que é diferente mas vai dar ao mesmo.
Sou todo o tempo, todo o tempo.
Sou a luz, sou a sombra, sou a santa e sou a pecadora.
Hoje sou música, hoje sou uma canção.
Danças comigo?
CS
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Segunda-feira, Junho 22, 2009
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